Abaixo o mito do vestibular difícil
O grau de dificuldade enfrentado pelos vestibulandos da Unicamp está mais no nível da concorrência do que na complexidade das provas
Se, ao longo de sua formação escolar, o estudante aprendeu a pensar, a selecionar informações e relacioná-las, a elaborar hipóteses, a desenvolver o raciocínio lógico e a comunicar-se com clareza, o vestibular da Unicamp certamente não lhe trará dificuldades.
“A Unicamp sempre privilegiou e continuará privilegiando o estudante que saiba pensar e organizar idéias”, explica o professor Leandro R. Tessler, coordenador executivo da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest). “Para garantir um bom resultado no exame da Unicamp, basta que o candidato tenha tido uma sólida formação no ensino médio, esteja atento aos acontecimentos da atualidade e que não se prenda às velhas fórmulas de memorização”.
De fato, além de mostrar domínio sobre o conteúdo do ensino médio nas disciplinas de matemática, química, física, biologia, história, geografia e língua estrangeira, o exame seletivo proposto pela Universidade de Campinas exige que o estudante saiba também posicionar-se frente às informações que lhe foram transmitidas durante sua vida escolar, como atesta a campineira Carolina Cavalcante Oliveira, 18 anos, primeira colocada no Vestibular 2002 e caloura do curso de Medicina.
“O vestibular da Unicamp realmente não privilegia apenas o conhecimento acadêmico, mas valoriza também o conhecimento crítico, tanto nas questões quanto na redação”, testemunha ela, com conhecimento de causa.
Mais do que selecionar bem os candidatos, o modelo próprio de seleção adotado pela Unicamp, que resgata as questões dissertativas e valoriza a redação, permite conhecer a história de cada um dos estudante na relação com o conhecimento e no desenvolvimento das práticas de escrita e de leitura.
Diferente dos testes de múltipla escolha, o vestibular discursivo dá aos examinadores a chance de detectar, por exemplo, quais são os problemas recorrentes ou quais são as áreas em que os alunos apresentam maior dificuldade e, com base nesses dados, interagir com as escolas e com a sociedade a fim de procurar estabelecer novos rumos para o ensino fundamental e médio.
Concorrido sim, difícil não!
O mito de vestibular difícil vai sendo gradativamente derrubado à medida que os alunos constatam que o grau de dificuldade de acesso em determinados cursos é explicado muito mais pelo nível da concorrência do que pela complexidade das provas.
Se antes as provas discursivas do Vestibular da Unicamp assustavam por fugirem à regra dos testes de múltipla escolha, hoje são encaradas de maneira muito positiva pelos estudantes que, em pesquisas realizadas pela Comvest, afirmaram sentir-se melhor avaliados pelo sistema adotado pela Unicamp, salientando que tiveram melhor oportunidade de mostrar o que sabiam.
“Ainda que o candidato não dê uma resposta exata às questões, seu raciocínio é levado em consideração pela banca corretora. Talvez por isso eu o considere um vestibular mais humanizado e mais justo, já que dá chances também para o aluno de escola pública”, acredita Carolina que, além da Unicamp, foi aprovada nos vestibulares de duas outras universidades paulistas.
A observação de Carolina procede. Historicamente, um terço dos alunos da Unicamp provém de escolas públicas e essa porcentagem é basicamente a mesma na relação entre inscritos e aprovados. Ou seja, o mecanismo de seleção não aumenta nem diminui essa proporção. “No vestibular 2002, inscreveram-se 64,8% de candidatos que freqüentaram escolas particulares no ensino médio e 33,8% de candidatos oriundos de escolas públicas”, atesta o professor Leandro. “Na matrícula, constatamos que esses percentuais permaneceram praticamente inalterados, sendo de 65,8% e 33,3% respectivamente”.
Outra constatação que põe por terra a idéia de vestibular elitizado é que, entre 1999 e 2002, aumentou significativamente o número de alunos matriculados que declararam renda familiar de até 10 salários mínimos. Enquanto em 1999 havia 22,9% de estudantes matriculados pertencentes a grupos familiares com renda de até 10 salários mínimos, em 2002 esta porcentagem subiu para 34,5%.
Pesquisa realizada recentemente pela Comvest mostrou também que os alunos de escolas públicas estão presentes em todos os cursos da Unicamp e não apenas naqueles tradicionalmente menos concorridos. No curso de Ciência da Computação, por exemplo, onde historicamente tem-se verificado que 40 candidatos em média disputam uma vaga, 52,2% dos alunos matriculados em 2002 são provenientes de escola pública e 47,8% de escolas particulares. A mesma situação pode ser verificada no curso de Enfermagem, onde 58,5% dos estudantes matriculados em 2002 freqüentaram escolas públicas contra 41,5% de estudantes oriundos de estabelecimentos de ensino particulares.
Para chegar lá...
Tenha sempre em mente que o vestibular da Unicamp pretende:
* Verificar o domínio do conhecimento adquirido durante o ensino médio;
* avaliar a aptidão e o potencial dos candidatos para o curso superior em que pretendem ingressar e
* interagir com os sistemas de ensino fundamental e médio e contribuir para o redirecionamento do ensino
Além disso, procura-se descobrir, entre os vestibulandos, aqueles candidatos cujo perfil se ajuste à proposta de ensino e formação oferecidos pela Universidade. Ou seja, o aluno que pretende vir para a Universidade deve ser capaz de:
* Exprimir-se com clareza;
* organizar suas idéias;
* estabelecer relações entre informações diversas;
* interpretar dados e fatos e
* elaborar hipóteses.Portadores de necessidades especiais
Nada muda no vestibular 2003 em relação à infra-estrutura colocada à disposição dos portadores de necessidades especiais. Para garantir total tranqüilidade a esses candidatos antes do exame, a Comvest monta um posto especial para receber as inscrições.
Já nos dias de provas, há alguns instrumentos disponibilizados pelos organizadores para facilitar a realização das provas desses candidatos. É o caso, por exemplo, do CCTV, um equipamento capaz de ampliar o tamanho das letras para que os portadores de visão subnormal não sejam prejudicados. Há ainda provas em braile para os deficientes visuais e um acompanhamento especial para os portadores de deficiências física e auditiva e para candidatos com problemas motores.
Fonte: UNICAMP
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